História do Budismo e suas escolas

Muitas pessoas me questionam se todo budismo é igual. Sempre que falo que sou budista, me perguntam onde é o templo que frequento, e ao dizer que na Soka Gakkai, organização que sigo, as reuniões são nas casas dos membros, as pessoas se espantam.

Na verdade há diversas linhas de budismo, e cada escola possui ênfase em práticas distintas: estudo de ensinamentos registrados, meditação ou práticas esotéricas elaboradas. Algumas escolas buscam o isolamento e a anulação do ser, outras, buscam a iluminação em uma vida futura. Há ainda o budismo de Nitiren, que tem ênfase na busca pela iluminação nesta existência e na formação de um mundo melhor para todas as pessoas.

 Difusao do budismoNascido na Índia por volta do século IV a. C., Siddhartha Gautama atingiu a iluminação ou estado de buda com aproximadamente 30 anos. Pregou diversos ensinamentos a discípulos e ouvintes por cerca de 50 anos, até sua morte.
Aproximadamente cem anos depois, seus discípulos se reuniram para organizar os ensinamentos que foram passados oralmente através das gerações, e alguns deles foram registrados. Nessa época, houve divergências sobre a doutrina, e os praticantes se dividiram em dois grupos, que se espalharam pelo mundo:

– “Sthavira” (sânscrito: “ensinamento dos mais velhos”. Em pali, a palavra correspondente é “Theravada”, nome pelo qual esse grupo ficou conhecido);

– “Mahāsāṃghika” (“grande sangha”, pois eram a maioria).

Theravada
A atual escola Theravada descende diretamente do primeiro grupo da divisão. É a escola budista mais antiga entre as existentes, e sua prática pretende ser próxima dos primeiros ensinamentos do Tipitaka, que é considerado o mais antigo registro dos ensinamentos do Buda. De acordo com a doutrina, os sofrimentos são causados pelo desejo e egoísmo humanos, que devem ser erradicados. A linha Theravada predomina no Sri Lanka e boa parte do sudeste asiático (Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia).

 Mahayana
O budismo Mahayana  se originou do grupo Mahāsāghika da primeira divisão. É o tipo de budismo que se espalhou para países como China, Japão, Coreia, Tibete, Vietnam, entre outros. O termo, que começou a ser usado aproximadamente em 100 a.C., é sinônimo de bodhisattvayana, o caminho da busca da iluminação para o benefício de todos os seres. Com seus ensinamentos compilados, o budismo atingiu amplamente a população, sendo praticado também por leigos (pessoas sem ordenação monástica).

 

Escolas Mahayana
Praticantes Mahayana deram origem a diversas sub-escolas, e as principais são:

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Terra Pura – Originou-se na Índia e os registros mais antigos datam do século II d. C.. Hoje é o budismo com mais adeptos no Japão. O foco é a devoção ao buda da meditação Amitabha (ou Amida, como é conhecido no Japão) e a busca pela iluminação em uma vida futura na Terra Pura. O conhecido Templo Zu Lai, de Cotia (SP), é fundado na tradição Terra Pura e Chan (Zen).

 

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Vajrayana – Surgiu na Índia, provavelmente por volta do século IV d. C.. Cada escritura é denominada “tantra”, vindo daí o termo “budismo tântrico”. Mais esotérico que as outras escolas, entre suas características estão a utilização de mantras e rituais elaborados, presença de pinturas e esculturas. No Tibete, essa linha se tornou predominante, no conhecido Budismo Tibetano ou Lamaismo. Possui sub-escolas, como Nyongma, Kagyu, Sakya e Gelug (de Dalai Lama). Faz parte dessa escola o templo Khadro Ling, de Três Coroas (RS).

 Zen – Surgiu na China como budismo Chan e depois se disseminou no Japão, Coréia e Vietnam. A ênfase dessa escola é a experiência pessoal em meditação, e não tanto o estudo de escrituras. No Japão, o budismo Zen foi introduzido como uma escola independente no século 12. Faz parte dessa escola a famosa brasileira monja Coen.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

 Nitiren – Surgiu no Japão através do monge budista Nitiren Daishonin (1222-1282). Possui foco no estudo do Sutra do Lótus e na recitação do Daimoku como forma de atingir a felicidade nesta existência. Essa linha influenciou significativamente — e continua influenciando — a sociedade japonesa. No Brasil, é a linha budista que mais cresce. Chegou ao país em 1960 através da Soka Gakkai, que hoje conta com cerca de 160 mil associados brasileiros.

 

Escolas contemporâneas

Vipassana – Professores de meditação que estudaram com mestres Theravada da Birmânia e Tailândia vêm difundindo técnicas tradicionais de meditação budista de maneira relativamente desvinculada de alguma linhagem religiosa específica.

 Shambhala – Linhagem idealizada para a prática budista no mundo contemporâneo. Foi inaugurada por Chogyam Trungpa Rinpoche, lama tibetano que começou a ensinar amplamente no ocidente na década de 1970. Atualmente, é liderada por seu filho e herdeiro espiritual Sakyong Mipham Rinpoche.

 Nova Tradição Kadampa – O termo Kadampa se refere a uma linhagem originada no século 11, do budismo tibetano. A atual escola tibetana Gelug (do Dalai Lama) é considerada a continuação da escola Kadampa. Por divergências doutrinárias, na década de 1990 grupos romperam com Dalai Lama, dando origem a novas sub-escolas, entre elas, a chamada “Nova Tradição Kadampa”, criada na Inglaterra em 1990.

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Fonte: BSGI, por uma sociedade de paz. São Paulo: Brasil Seiko, 2012.

 

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