Nikko Shonin

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração aos Três Mestres

A segunda parte deste trecho diz:

Devotando-me respeitosamente a Nikko Shonin, ofereço minhas sinceras orações em agradecimento pelos benefícios conquistados.

sadoEm 1258, Nitiren Daishonin visitou o templo Jissoji para desenvolver pesquisas na biblioteca local com o intuito de esclarecer as causas das calamidades e desastres que assolavam o Japão. Ele preparava-se para escrever a “Tese sobre o estabelecimento do ensino correto para a paz da nação”. Nessa ocasião, Nikko, que estava com 13 anos de idade, serviu-o e tornou-se seu discípulo, recebendo de Nitiren Daishonin o nome de Hoki-bo Nikko. A partir de então, Nikko serviu-o devotadamente, acompanhando-o até mesmo em seus exílios à península de Izu e à ilha de Sado.

Nos últimos anos da vida de Daishonin, já estabelecido em uma região remota do monte Minobu, Nikko Shonin compilou as preleções sobre o Sutra de Lótus proferidas pelo seu mestre, as quais são conhecidas como “Registro dos Ensinos Orais”. Ele empenhou-se também de forma excepcional na liderança da propagação do Verdadeiro Budismo, participando vigorosamente de inúmeros debates com líderes de seitas heréticas. As regiões de Kamakura, dos montes Minobu e Fuji, de Atami, Kai e Suruga e a vila de Atsuhara foram alguns dos locais onde Nikko empreendeu uma intensa campanha de propagação.

Aos 61 anos de idade, sentindo a aproximação de sua morte, Nitiren Daishonin designou Nikko Shonin como seu legítimo sucessor por meio de dois documentos de transferência escritos em setembro de 1282 e em 13 de outubro de 1282, no dia de sua morte.

Após o falecimento de Daishonin, dos seis sacerdotes seniores que juraram proteger o Verdadeiro Budismo, somente Nikko Shonin compreendeu profundamente a verdadeira intenção do Buda Original e preservou seus ensinos com pura fé, criando a base para a propagação, e os transmitiu às futuras gerações. Apesar de terem jurado proteger o Verdadeiro Budismo, sob pressão das autoridades, os outros seniores gradativamente começaram a desviar-se dos ensinos de Daishonin e passaram a adorar imagens do Buda Sakyamuni, declarando-se sacerdotes da seita Tendai. Assim livraram-se das perseguições e prometeram orar pela nação e por seus governantes. Nikko Shonin refutou rigorosamente essas atitudes e preservou os ensinos de seu mestre. Se ele permanecesse em silêncio, indubitavelmente a história da “retidão dos cinco sacerdotes seniores” teria prevalecido sobre a verdadeira intenção de Nitiren Daishonin. Na verdade, esses cinco sacerdotes não compreenderam a verdadeira intenção do Buda Original.

MontanhaNikko Shonin faleceu no dia 6 de fevereiro de 1333, 24 dias após escrever “Os Vinte e Seis Artigos de Advertência”, que contêm as orientações para os futuros discípulos que herdaram o verdadeiro espírito de Nitiren Daishonin e assegurarão a realização do Kossen-rufu.

San

Nitiren Daishonin

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração aos Três Mestres

A primeira parte deste trecho diz:

“Devotando-me respeitosamente a Nitiren Daishonin, o Buda Original dos Últimos Dias da Lei, ofereço minhas sinceras orações em agradecimento pelos benefícios conquistados.”

saky_dharmaSidarta Gautama (aprox. 560-480 a.C.), que ficou conhecido como Buda Sakyamuni, foi o primeiro homem que registrou ter alcançado o estado de Buda ou iluminação. Para seus primeiros discípulos, Sakyamuni deixou uma série de ensinamentos preparatórios, para que no futuro fossem revelados os ensinamentos que de fato poderiam levar à iluminação. No Sutra de Lotus, o Buda Sakyamuni disse que seria preciso muita coragem para que seus ensinamentos fossem propagados nos Últimos Dias da Lei, período em que seriam encontradas diversas dificuldades para a propagação da verdade contida no budismo.

Segundo o pensamento budista, qualquer religião pode ser dividida em três períodos, dependendo do grau de influencia que ela exerce nas pessoas. No budismo esses períodos foram os seguintes:

– “Primeiros Dias da Lei”, quando oferece meios práticos para resolver problemas imediatos. Duraram cerca de mil anos e foi o período em que o budismo foi praticado na Índia e a prática se baseava na pureza da fé;

– “Médios Dias da Lei”, quando a religião já está estabelecida na cultura e na sociedade, porém torna-se formalizada e deixa de ser relevante para as necessidades das pessoas. Também duraram cerca de mil anos e propagou-se na China, e chegou ao Japão. A religião tornou-se ritualizada;

– “Últimos Dias da Lei”, quando perde totalmente sua eficácia. Pelos cálculos, teria início por volta do ano 1052 d.C. Nesse período, as ordens budistas tornaram-se ricas e os monges guiavam-se por desejos de fama e outras ambições.

Com o tempo, muitos seguidores esqueceram-se de que Sakyamuni era o fundador do budismo, e novas escolas apareceram em sucessão, louvando os poderes de budas imaginários ou negando a necessidade de estudar a doutrina ou de realizar a prática do budismo. O verdadeiro espírito do budismo havia sido totalmente esquecido por volta do início do século XIII no Japão. Por volta dessa mesma época, o budismo da Índia acabou sofrendo o impacto do islamismo da região oeste e desapareceu, embora esse budismo já viesse mantendo uma subsistência conjunta com o esoterismo desde a extinção dos sucessores de Sakyamuni no século VI. De forma semelhante, após a morte de Tient’ai, o budismo da China entrou em decadência, sendo corroído pela influência do esoterismo indiano e pela predominância da devoção do Buda Amida, que era uma derivação do próprio budismo. Além disso, a invasão da China pelos mongóis ocorrida no século XIII causou o total declínio do budismo.

Em meio a essa confusão, Nitiren Daishonin fez seu advento.

Buda NitirenNascido quase dois mil anos depois de Sakyamuni, Nitiren Daishonin (1222 – 1282)  tornou-se monge e estudou profundamente o budismo. Através de documentos antigos, percebeu que as correntes dominantes na época desviavam-se da essência do pensamento de Sakyamuni. Encontrou o ponto central do pensamento do Buda – o Sutra de Lótus – e dali fez renascer o budismo ao revelar a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e o efeito revitalizador e transformador que essa prática traz ao indivíduo. Concentrou sua percepção no Gohonzon e deixou a prática do Daimoku como a chave para a iluminação de qualquer ser humano.

Daishonin foi extremamente perseguido, tanto por seitas budistas como por governantes. Foi  exilado, foi alvo de emposcadas e chegou a ser condenado à morte, da qual escapou por diversas vezes. Durante três anos, Daishonin revelou os ensinamentos àqueles que acreditavam em suas palavras, e faleceu pacificamente na residência de um seguidor.

NitirenPor ter atingido a iluminação por si só e ter revelado a verdade fundamental da vida, Nitiren é conhecido como o Buda Original dos Últimos Dias da Lei.

San

Desafiando os objetivos em 2015!

EscrevendoO começo de um novo ano é um período também muito especial para os budistas. Como tantas outras pessoas, nesse período nós avaliamos o que foi feito no ano anterior e renovamos nossos objetivos para o próximo ciclo. A diferença entre aqueles que apenas escrevem seus desejos num papel para abri-lo no ano seguinte e nós é que não escrevemos apenas “desejos”, mas objetivos, e lembramo-nos deles a cada dia, nos propondo mudanças para alcança-los.

O Budismo de Nitiren Daishonin nos lembra de que apenas nós somos responsáveis pela conquista ou não de nossos objetivos. Ou seja: não colocamos a culpa ou responsabilidade em algum ser fora de nós caso não conquistemos o que queremos. Pra ser mais clara, os budistas não acreditam que as coisas são definidas por “vontade divina”, para o bem ou para o mal, mas pela Lei de Causa e Efeito.

Recitar o Daimoku (Nam-myoho-rengue-kyo) a cada dia nos coloca em contato com nossa essência de Buda e nos lembra que somos capazes de atingir nossos objetivos e os únicos responsáveis por isso. Enquanto recitamos e na nossa vida diária de budistas, reavaliamos nossas ações, sempre procurando nos aprimorarmos. Assim, somos colocados [nos colocamos] em contato e no caminho daquilo que almejamos.

Objetivos para 2015
Avalie quais são seus objetivos para 2015. Podem ser vários, mas eleja um ou dois que se pareçam mais desafiadores e escreva-os com detalhe em um papel. Quanto de esforço será necessário para atingir tais objetivos? Converta isso para Daimoku. Quanto você considera o equivalente para conquistar tal objetivo?

100 mil? 200 mil? 500 mil? Um milhão de Daimokus?

Só você sabe qual o esforço deve ter para atingi-lo.

– Recite Daimoku por um minuto e veja quantos foram recitados nesse tempo [60, por exemplo].

– Agora divida o número de Daimoku escolhido (100 mil, por exemplo), pela quantidade por minuto e veja quanto tempo será necessário para recitar o total. [100.000/ 60 = 1666 minutos]

– No final, você terá uma média diária para recitar Daimoku. [No nosso exemplo deu 5 minutos por dia em um ano, que é bem pouquinho, então pode aumentar o desafio rs]

– Registre a cada dia em um caderninho o quanto você avançou. E esforce-se no seu dia a dia para alcançar seu objetivo!

Parece complicado, mas não é. No fim, a alegria de ver seus objetivos sendo conquistados lhe dará mais força para aumentar seu desafio no próximo ano!

E ai, tem coragem de se desafiar a vencer em 2015?

San

Dai-Gohonzon

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração ao Dai-Gohonzon

A primeira oração silenciosa diz:

“Devotando-me respeitosamente ao Dai-Gohonzon dos três Grandes Ensinos Fundamentais concedido para toda a humanidade, ofereço minhas sinceras orações em agradecimento pelos benefícios conquistados.”

Em chinês, “Dai” significa “grande ou “supremo”, e “Go” significa “digno de honra” e “Honzon” significa “objeto de respeito fundamental”. Quando falamos Dai-Gohonzon, estamos nos referindo à mandala inscrita em madeira por Nitiren Daishonin em 12 de outubro de 1279. Ela representa a incorporação física da lei eterna e universal do Nam-myoho-rengue-kyo, a essência do Sutra de Lótus. O Gohonzon que os membros da SGI consagram em suas casas é baseado nesse Dai-Gohonzon original.

O Gohonzon pode ser comparado a um “poderoso espelho” que revela a Lei Mística inerente na vida de cada pessoa. Daishonin inscreveu o Gohonzon para que todas as pessoas pudessem conhecer a Lei e evidenciá-la.

Daishonin deixou claro que a essência do budismo está expressa na frase “Nam-myoho-rengue-kyo”. Por isso o Gohonzon não deve ser visto como um objeto que contém poderes místicos ou mágicos em si, mas, sim, como a manifestação do desejo de Nitiren de que toda a humanidade possa alcançar a felicidade ou o estado de buda. Isto pode ser conseguido através da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e fazendo esforços constantes para melhorar a si mesmo e ajudar os outros a fazer o mesmo.

nitirenAtravés de suas cartas, Nitiren revelou as coisas mais importantes que estavam contidas de maneira implícita no capítulo Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda) do Sutra de Lótus. Elucidou que a prática do budismo consiste essencialmente em três ensinamentos: (1) ter fé no Dai-Gohonzon [que é a representação física da Lei Mística], (2) recitar o Nam-myoho-rengue-kyo ou Daimoku e (3) ter respeito ao local onde a pessoa recita o Daimoku, ou seja, ao santuário onde está seu Gohonzon, espelho da Lei em sua própria vida. Estes são os três Grandes Ensinos Fundamentais do budismo de Nitiren Daishonin.

San

O que é Gohonzon

Na primeira vez que fui a uma reunião de palestra do Budismo de Nitiren Daishonin, estranhei que as pessoas recitavam o mantra olhando para o Gohonzon, o objeto de devoção dessa linha. Primeiro porque se trata de um pergaminho com inscrições em chinês, e eu não entendia nada. Depois, por me parecer uma adoração. Aos poucos, fui entendendo a profundidade que contém o Gohonzon, que vai além do significado literal daqueles caracteres. E entendi também que não se trata de um objeto de adoração.

BudsudanPara explicar melhor o Gohonzon, vou começar contando sobre uma passagem do Sutra de Lótus, a base do Budismo de Nitiren Daisnhonin.

O Sutra de Lótus contém 28 capítulos, que mostram os meios que o Buda Sakyamuni encontrou para explicar aos seus discípulos e ouvintes a grandiosidade do budismo. No capítulo 10 ele prega no Pico da Águia (Gridhrakuta, em sânscrito), uma montanha que fica na Índia, para milhares de ouvintes. No capítulo seguinte, entre Sakyamuni e os ouvintes, surge e eleva-se no ar a Torre do Tesouro, uma imensa e magnífica torre, que mede cerca do raio da Terra, toda adornada em pedras preciosas. Através de seus poderes místicos, Sakyamuni e todas as pessoas que estavam presentes na assembleia também são transportados para o ar. Dentro da Torre, está o Buda Taho (Buda de Muitos Tesouros), que convida Sakyamuni para entrar. Ele senta-se ao lado do Buda Taho, que confirma que tudo o que ele disse até então é verdadeiro. Essa passagem é chamada de Cerimônia no Ar.

A Cerimônia no Ar não aconteceu de fato, mas é uma metáfora de como os ensinamentos do Buda ultrapassam os limites do espaço e tempo. Se a Cerimônia tivesse acontecido no Pico da Águia, poucas pessoas teriam tido acesso. Acontecendo no ar, a cerimônia amplia seu alcance, o que significa que todos aqueles que ouvem sobre o Sutra de Lótus estão ali presentes. A Torre do Tesouro representa toda a riqueza que se pode conquistar com o budismo. As joias, inclusive, são usadas como alegoria em diversos textos budistas para representar essa grandiosidade.

O Gohonzon

Quando Nitiren Daishonin compreendeu a Lei Mística, inscreveu numa madeira a natureza dessa lei em caracteres chineses. Os caracteres representam a Cerimônia no Ar, com os nomes dos participantes: o Buda Sakiamuni, Taho, diversos deuses e Bodhisattvas. Ao centro, na vertical, está escrito Nam-myoho-rengue-kyo, que significa despertar para a Lei Universal, e representa a Torre do Tesouro.

No Gohonzon também estão representados os dez estados de vida, que estão presentes em todas as pessoas:

  1. Intenso sofrimento e desespero (Inferno)
  2. Desejos insaciáveis (Fome),
  3. Egoísmo e Estupidez (Animalidade),
  4. Arrogância e Beligerância (Ira),
  5. Calma Provisória (Tranquilidade),
  6. Alegria Intensa Provisória (Êxtase),
  7. Auto Aperfeiçoamento (Erudição),
  8. Despertar para Verdades Parciais da Natureza e Humanidade (Absorção),
  9. Altruísmo (Bodhisattva),
  10. Estado de felicidade com base na compaixão e sabedoria (Estado de Buda).

De forma gráfica, o Gohonzon mostra que, quando embasados firmemente na Lei do Nam-myoho-rengue-kyo, cada um dos dez estados de vida pode ser um caminho para nos trazer aprendizados ou desafios que visam nutrir nossa existência e trazer a felicidade. Por exemplo, embora possamos nos encontrar no estado de Inferno, através de nossas orações ao Gohonzon, podemos transformar nosso intenso sofrimento e desespero como fonte de força e esperança para superar todas as dificuldades.

Como podemos ter acesso a todos os tesouros que a Torre representa? Nitiren Daishonin nos encoraja com as seguintes palavras: “Quanto recitar a Lei Mística e ler o Sutra de Lótus, deve evidenciar a forte convicção de que o Myoho-rengue-kyo é a sua própria vida“. Em outras palavras, Nitiren Daishonin nos ensina que a vida é o maior tesouro. A esse respeito ele ainda escreve: “Nunca procure o Gohonzon em outros lugares. Ele somente pode habitar no coração das pessoas comuns, como nós, que abraçam o Sutra de Lótus e recitam o Nam-myoho-rengue-kyo“. Essa compreensão é o que o budismo chama de iluminação.

EspelhoAo olharmos para o Gohonzon é como se estivéssemos diante da Torre do Tesouro, com a possibilidade de receber todas as suas joias e os ensinamentos budistas. Ele representa ainda um espelho, o que significa que a Cerimônia está acontecendo dentro de nós. Ao orar para o Gohonzon estamos ativando nossa natureza de Buda, presente na vida de cada ser.

Assim, a força do Gohonzon não é algo externo, contido no pergaminho em si. Ela está dentro de nós. O Gohonzon sozinho não faz nada. Ele não controla nossas vidas, não nos concede benefícios ou nos pune. Ele apenas nos coloca em contato com nossa natureza de Buda para que nós, e somente nós, possamos definir o rumo de nossas vidas com plena felicidade.

San

História do Budismo e suas escolas

Muitas pessoas me questionam se todo budismo é igual. Sempre que falo que sou budista, me perguntam onde é o templo que frequento, e ao dizer que na Soka Gakkai, organização que sigo, as reuniões são nas casas dos membros, as pessoas se espantam.

Na verdade há diversas linhas de budismo, e cada escola possui ênfase em práticas distintas: estudo de ensinamentos registrados, meditação ou práticas esotéricas elaboradas. Algumas escolas buscam o isolamento e a anulação do ser, outras, buscam a iluminação em uma vida futura. Há ainda o budismo de Nitiren, que tem ênfase na busca pela iluminação nesta existência e na formação de um mundo melhor para todas as pessoas.

 Difusao do budismoNascido na Índia por volta do século IV a. C., Siddhartha Gautama atingiu a iluminação ou estado de buda com aproximadamente 30 anos. Pregou diversos ensinamentos a discípulos e ouvintes por cerca de 50 anos, até sua morte.
Aproximadamente cem anos depois, seus discípulos se reuniram para organizar os ensinamentos que foram passados oralmente através das gerações, e alguns deles foram registrados. Nessa época, houve divergências sobre a doutrina, e os praticantes se dividiram em dois grupos, que se espalharam pelo mundo:

– “Sthavira” (sânscrito: “ensinamento dos mais velhos”. Em pali, a palavra correspondente é “Theravada”, nome pelo qual esse grupo ficou conhecido);

– “Mahāsāṃghika” (“grande sangha”, pois eram a maioria).

Theravada
A atual escola Theravada descende diretamente do primeiro grupo da divisão. É a escola budista mais antiga entre as existentes, e sua prática pretende ser próxima dos primeiros ensinamentos do Tipitaka, que é considerado o mais antigo registro dos ensinamentos do Buda. De acordo com a doutrina, os sofrimentos são causados pelo desejo e egoísmo humanos, que devem ser erradicados. A linha Theravada predomina no Sri Lanka e boa parte do sudeste asiático (Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia).

 Mahayana
O budismo Mahayana  se originou do grupo Mahāsāghika da primeira divisão. É o tipo de budismo que se espalhou para países como China, Japão, Coreia, Tibete, Vietnam, entre outros. O termo, que começou a ser usado aproximadamente em 100 a.C., é sinônimo de bodhisattvayana, o caminho da busca da iluminação para o benefício de todos os seres. Com seus ensinamentos compilados, o budismo atingiu amplamente a população, sendo praticado também por leigos (pessoas sem ordenação monástica).

 

Escolas Mahayana
Praticantes Mahayana deram origem a diversas sub-escolas, e as principais são:

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Terra Pura – Originou-se na Índia e os registros mais antigos datam do século II d. C.. Hoje é o budismo com mais adeptos no Japão. O foco é a devoção ao buda da meditação Amitabha (ou Amida, como é conhecido no Japão) e a busca pela iluminação em uma vida futura na Terra Pura. O conhecido Templo Zu Lai, de Cotia (SP), é fundado na tradição Terra Pura e Chan (Zen).

 

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Vajrayana – Surgiu na Índia, provavelmente por volta do século IV d. C.. Cada escritura é denominada “tantra”, vindo daí o termo “budismo tântrico”. Mais esotérico que as outras escolas, entre suas características estão a utilização de mantras e rituais elaborados, presença de pinturas e esculturas. No Tibete, essa linha se tornou predominante, no conhecido Budismo Tibetano ou Lamaismo. Possui sub-escolas, como Nyongma, Kagyu, Sakya e Gelug (de Dalai Lama). Faz parte dessa escola o templo Khadro Ling, de Três Coroas (RS).

 Zen – Surgiu na China como budismo Chan e depois se disseminou no Japão, Coréia e Vietnam. A ênfase dessa escola é a experiência pessoal em meditação, e não tanto o estudo de escrituras. No Japão, o budismo Zen foi introduzido como uma escola independente no século 12. Faz parte dessa escola a famosa brasileira monja Coen.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

 Nitiren – Surgiu no Japão através do monge budista Nitiren Daishonin (1222-1282). Possui foco no estudo do Sutra do Lótus e na recitação do Daimoku como forma de atingir a felicidade nesta existência. Essa linha influenciou significativamente — e continua influenciando — a sociedade japonesa. No Brasil, é a linha budista que mais cresce. Chegou ao país em 1960 através da Soka Gakkai, que hoje conta com cerca de 160 mil associados brasileiros.

 

Escolas contemporâneas

Vipassana – Professores de meditação que estudaram com mestres Theravada da Birmânia e Tailândia vêm difundindo técnicas tradicionais de meditação budista de maneira relativamente desvinculada de alguma linhagem religiosa específica.

 Shambhala – Linhagem idealizada para a prática budista no mundo contemporâneo. Foi inaugurada por Chogyam Trungpa Rinpoche, lama tibetano que começou a ensinar amplamente no ocidente na década de 1970. Atualmente, é liderada por seu filho e herdeiro espiritual Sakyong Mipham Rinpoche.

 Nova Tradição Kadampa – O termo Kadampa se refere a uma linhagem originada no século 11, do budismo tibetano. A atual escola tibetana Gelug (do Dalai Lama) é considerada a continuação da escola Kadampa. Por divergências doutrinárias, na década de 1990 grupos romperam com Dalai Lama, dando origem a novas sub-escolas, entre elas, a chamada “Nova Tradição Kadampa”, criada na Inglaterra em 1990.

San

EPSON scanner image

Fonte: BSGI, por uma sociedade de paz. São Paulo: Brasil Seiko, 2012.

 

Como se pratica o Budismo de Nitiren Daishonin?

A prática se resume à recitação do Gongyo (prática complementar) e do Daimoku (prática principal) pela manhã e à noite

Gongyo é a recitação do capítulo Hoben (Meios) e do trecho Jigague do capítulo Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda), considerados os mais importantes entre os 28 capítulos do Sutra de Lótus.

Recitar Daimoku é o mesmo que recitar Nam-myoho- rengue-kyo, que significa “Devotar a vida – Lei Mística – Causa e Efeito – Eternidade da Vida”, por repetidas vezes. “Myoho-rengue-kyo” é a tradução do título do Sutra de Lótus (“Saddharma-pundarika Sutra” em sânscrito) para o chinês, feita por Kumarajiva. E “nam” deriva do sânscrito “namus”, e significa “devoção”. Quando for recitar, pense em algo que deseja concretizar. Ao recitarmos Nam-myoho-rengue-kyo, nos conectamos com a Lei Mística que rege o universo, que é a Lei da Causa e Efeito. Neste exato momento, estimulamos em nós o Estado de Buda, além de entrar em sintonia com as forças em equilíbrio do universo. Assim, criamos força para lutarmos por nossos objetivos, além de atrair “boa sorte”.

buda1Começa-se com o Gongyo (capítulo Hoben e trecho Jigague) e logo em seguida o Daimoku (Nam-myoho-rengue-kyo). A recitação deve ser feita de olhos abertos, com a postura ereta, sentado em uma cadeira ou no chão, com as mãos juntas na altura do peito. Se ainda não tem o gohonzon, deve-se recitar olhando para frente, em uma parede em branco, ou escreva seu desejo em um papel e o coloque na parede. Não devemos ter uma postura de pedinte, mas de realizadores, agradecendo mentalmente o que temos hoje e o que queremos receber com forte determinação. Enquanto recita, a voz deve ser alta e clara, de modo a sentir a vibração das vogais em seu corpo. O ritmo deve ser rápido, mas para começar, podemos fazer lentamente para entender a pronúncia.

Você pode começar recitando o Daimoku por cinco minutos, e aumentar gradualmente. Não há um tempo limite estabelecido, vai de cada um. Mas já ouvi veteranos dizendo que o Nam-myoho-rengue-kyo é como um combustível. Se você quer ir até Campinas, usa um tanto de combustível. Se quer ir ao Japão, usa bem mais. Para onde você quer ir? Qual o tamanho do seu desejo? Esse é o tempo que você deve recitar.

Existem dois tipos de benefícios que se manifestam com a prática budista:

Visíveis – que muitas vezes parecem milagres, mas não são! É apenas a reação do seu meio ambiente à sua mudança de vibração. Ex.: Uma oferta de emprego, uma quantia em dinheiro que você precisava, uma oportunidade de estudos, um presente inesperado etc.

Invisíveis – são as mudanças internas que ocorrem no indivíduo devido à prática budista. É a sua Revolução Humana! Ex.: calma, autoconfiança, bom senso etc.

Experimente recitar o Gongyo e o Daimoku. Certamente em pouco tempo a prática te mostrará resultados. Se dê essa oportunidade e desafie-se 😉

San

Tradução do Gongyo

 

Para treinar, o Gongyo em ritmo lento