Novas orações silenciosas – Daisaku Ikeda

Olá, pessoal!

Faz um tempo que não escrevo, mas estou de volta 🙂

Vou dar continuidade às postagens referentes às orações silenciosas.

Como vocês se lembram, as orações silenciosas da Liturgia da SGI estão reunidas em três grupos:

– Gratidão ao Gohonzon
– Gratidão aos três primeiros presidentes
– Realização do kossen-rufu e em memória dos falecidos

Hoje iremos falar sobre o segundo grupo de orações, “Gratidão aos três primeiros presidentes”, em especial de Daisaku Ikeda, o atual presidente da SGI.

O trecho diz:

“Manifesto gratidão à virtude da dedicação abnegada em propagar a Lei, do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, do segundo presidente, Josei Toda, e do terceiro presidente, Daisaku Ikeda, reverenciando-os como eternos mestres do Kossen Rufo.”

No antigo modelo das orações silenciosas, havia um trecho apenas para o Kossen Rufo, que expliquei nesse post. Resumindo, o significado de kossen-rufu é “declarar amplamente e propagar” a filosofia budista para que todas as pessoas pudessem praticá-la, trazendo assim a paz mundial. Sakyamuni chegou a dizer que após sua morte isso iria acontecer num tempo muito distante, mas que haveria muitos e difíceis obstáculos para a propagação da Lei. Esse seria o grande desafio e missão do budismo.

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Ikeda aos 19 anos

Daisaku Ikeda nasceu em 1928, o quinto de uma família de oito filhos. Teve sua infância marcada pelos problemas enfrentados pela pobreza da família, pela saúde debilitada e pelas consequências da Primeira e  Segunda Guerra mundiais no Japão.

Em 1939, com o início da Segunda Guerra, os irmãos mais velhos de Daisaku Ikeda foram levados para lutar nas batalhas. Os problemas financeiros da família ainda os levaram a vender a casa e mudar-se para um pequeno barraco que, mais tarde foi incendiado durante os bombardeios em Tóquio. Com a Segunda Guerra, que terminou em 1945, também se foi seu irmão mais velho, morto em um confronto na Birmânia.

Além da catástrofe das duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, os jaoneses tiveram ainda que se submeter à ocupação e à imposição dos americanos com uma cultura totalmente diferente e leis que desrespeitavam suas crenças milenares e sagradas.

Apesar de todo o contexto de guerra, fome, submissão, Daisaku Ikeda tinha a esperança de aquilo poderia mudar com a ajuda de um novo líder. Estudava com amigos sobre filosofia e debatiam sobre as questões da vida.

Aos 19 anos, em 1947, Daisaku Ikeda foi convidado a participar de uma reunião onde seriam discutidas questões filosóficas. A reunião seria na Soka Gakkai com uma palestra de Josei Toda, então presidente da associação. Ele explanava sobre o Sutra de Lótus e todos os presentes estavam totalmente atentos às suas palavras. A palestra realmente impressionou Daisaku Ikeda, que no mesmo dia demonstrou o quanto tudo aquilo havia o emocionado. Toda também ficou impressionado com o rapaz de 19 anos, sensível às questões do budismo e ávido por conhecimento.

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Ikeda recebe Nelson Mandela no Japão, 1990.

Daisaku Ikeda tornou-se seu discípulo direto e passou a acompanhá-lo em todo o seu percurso. Com o falecimento de Toda, em 1958, Ikeda foi indicado à presidência da SGI, e de discípulo passou a mestre. Até hoje, aos 89 anos, Ikeda é um grande divulgador do Budismo no mundo, tendo feito reuniões com diversos líderes governamentais e instituições renomadas como a ONU. É reconhecido como um importante intelectual e recebeu o título de Doutor Honoris Causa de mais de cem instituições de ensino superior.

É interessante perceber o quanto os membros mais velhos da BSGI têm um imenso carinho por Ikeda, se referindo a ele como de fato um mestre, que é de certa maneira incomum na nossa cultura brasileira. Confesso que inicialmente aquilo me parecia um pouco estranho – como a figura de um homem, um presidente leigo, poderia ser tão venerado pelos budistas de Nichiren Daishonin? Mas é fácil perceber pela sua trajetória.

daisakuikedatokyomay2010Além de falar a novos povos, sendo responsável por levar o budismo de Nichiren Daishonin a mais de 200 países, Ikeda está sempre presente com os budistas da SGI, seja escrevendo livros, mensagens, explicando passagens do Sutra de Lótus e outros textos. Ikeda também escreve poemas e músicas budistas, e tem sempre uma palavra de desafio ou incentivo aos membros, que são transmitidas através das publicações, jornais, sites e outras formas de comunicação da SGI. Ele perpetua a missão de mestre e discípulo lançada por Nitiren Daishonin e está em constante busca pela paz mundial, o kossen rufo.

San

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História do Gongyo

Como muitos já devem saber, em 2016 a SGI lançou uma nova versão com a Liturgia do Budismo Nichiren, com mudanças nas orações silenciosas, passando a se chamar Liturgia da SGI.

É importante saber que a maneira de se realizar as orações mudou muito ao longo do tempo, o que não significa que eram corretas ou erradas, mas que se adaptaram conforme a necessidade de seu tempo.

gohonzonSabemos que Nichiren Daishonin desvendou o segredo do Sutra de Lótus para que qualquer pessoa alcance o estado de Buda, com a recitação do mantra Nam-myoho-rengue-kyo. Embora ele tenha enfatizado a importância da recitação diária dos capítulos Hoben e Juryo, ele nunca mencionou um formato específico. Por isso, no decorrer dos séculos o formato do Gongyo foi modificado diversas vezes.

Mesmo a recitação dos capítulos Hoben e Juryo mudou. Na época, a recitação do capítulo Hoben não encerrava com os dez fatores, como fazemos nos dias de hoje, mas incluía uma longa parte do texto. Também não é claro se Nichiren Daishonin recitava o Gongyo em algum horário específico do dia.

Na época do Nono Sumo Prelado Nichiu (1409-1482), o Gongyo passou a ser recitado em forma de procissão, de um local para outro dentro do Templo Principal. Era uma época em que o conhecimento do budismo de Nichiren era restrito a poucos clérigos que viviam em função da religião, o que tornava a prática adequada.

O formato do Gongyo em cinco orações foi formalizado durante a época de Nitchin, que serviu como Sumo Prelado entre 1482 e 1527. No período do décimo-sétimo Sumo Prelado, Nissei (1600-1683), as cinco orações passaram a ser conduzidas em apenas um local e o sutra era recitado cinco vezes no Salão de Recepção (Kyakuden).

Quando Tsunesaburo Makiguti (que se tornou o primeiro presidente da Soka Gakkai) conheceu o budismo de Nichiren Daishonin em 1928, não havia um formato específico de praticar o Gongyo. Os leigos recitavam os capítulos Hoben e Juryo da mesma forma que os clérigos ou recitavam apenas o Daimoku.

Após a II Guerra Mundial, um grande número de pessoas começou a praticar os ensinos de Nichiren Daishonin devido às intensas campanhas de propagação promovidas pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda. Percebendo a necessidade de estabelecer um formato prático para que os leigos recitassem no dia a dia, baseado no espírito de jigyo keta (prática para si e para outros), foi estabelecido junto ao Sumo Prelado da época o formato do Gongyo que contava com cinco orações na manhã e três à noite.

Em 1977, a Soka Gakkai incluiu nas orações silenciosas os pedidos pela prosperidade da Soka Gakkai e pelo Kosen Rufu, além dos agradecimentos aos seus dois primeiros presidentes. Em 1994, deixou mais curto o capítulo Hoben, por ser de difícil pronúncia aos ocidentais. Outras mudanças foram realizadas até 2007, quando chegamos ao texto que usamos até o ano passado.

Atualmente, a Soka Gakkai se esforça para ampliar o conhecimento a mais pessoas, o que fez com que termos e conceitos do Gongyo fossem adaptados para facilitar a compreensão e a recitação.

É importante ressaltar que a gratidão aos mestres que trouxeram o conhecimento do budismo de Nichiren só acrescenta em nossa vida e fortalece a prática como um todo, mas que o mais importante é realizarmos a oração com confiança.

Em breve, continuarei expondo as mudanças no Gongyo em novas publicações.

Abraços a todos!

San

Nitimoku Shonin

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração aos Três Mestres

A terceira parte deste trecho diz:

Ofereço minhas sinceras orações a Nitimoku Shonin pelos benefícios conquistados.

Nitimoku Shonin nasceu em 1260. Sua mãe era a irmã mais velha de Nanjo Tokimitsu, um dos principais discípulos de Nitiren Daishonin. Desde a infância ele demonstrou forte inclinação aos estudos. Aos 13 anos, ingressou no templo Sotozan, da seita Shingon. Naquela época, os templos serviam não somente para treinar sacerdotes como também para educar os filhos das famílias de samurais, como era o caso dele. Foi nesse mesmo local que, em 1274, conheceu um sacerdote de 28 anos chamado Nikko Shonin e tornou-se seu discípulo. Nessa época, Nikko já era discípulo de Nitiren Daishonin. Dois anos depois, ele deixou sua família e partiu para Minobu, onde conheceu Nitiren Daishonin.

Nitimoku desenvolveu-se brilhantemente como debatedor e grande propagador do budismo. Afirma-se que tenha sido o primeiro dos discípulos de Daishonin a advertir um imperador. Em 1282, aos 22 anos, Nitimoku demonstrou todo o seu potencial quando Nitiren Daishonin foi desafiado para um debate pelo eminente bonzo Nikkaido Issehoin, da seita Tendai, acompanhado de mais de quarenta adeptos. Devido à doença do mestre, os discípulos próximos a Daishonin procuraram afastar os intrusos. No entanto, Daishonin aceitou o desafio e encarregou Nitimoku do debate, que derrotou totalmente seus oponentes.

No final de sua vida, Nitiren Daishonin designou Nikko Shonin como seu legítimo sucessor.  Após o falecimento de Daishonin, apesar de jovem, aos 22 anos Nitimoku foi designado como um dos guardiões de seu túmulo. Mas, inesperadamente, os bonzos seniores começaram a agir traiçoeiramente, e acabaram criando cada qual sua própria seita.

Sentindo um profundo respeito por Nikko Shonin que se levantou para  proteger o ensino de Nitiren Daishonin, Nitimoku jurou devotar-se ao novo mestre. Ele sabia que esta era a única forma de garantir a pureza do Budismo Nitiren para o futuro. Em reconhecimento por sua abnegada dedicação como discípulo, no dia 10 de novembro de 1332, no templo Mieido, Nikko Shonin transferiu todos os ensinos de Nitiren Daishonin a Nitimoku Shonin, tornando-o terceiro sumo prelado. Esse fato ocorreu alguns meses antes de seu falecimento.

BudismoAo longo de sua vida, Nitimoku construiu templos e também uma escola de estudos budistas. Realizou, também, mais de 42 viagens a Kamakura e Quioto a fim de advertir as autoridades governamentais. Idoso, em uma época em que o Japão passava por conflitos políticos relacionados ao poder do governo, Nitimoku Shonin assumiu sozinho um solene esforço de realizar o princípio de Rissho Ankoku, a paz na Terra por meio da propagação da Lei, buscando, assim, atender aos anseios de Daishonin e Nikko Shonin, dedicando sua vida ao supremo caminho de mestre e discípulo. Em 15 de novembro de 1333, durante uma viagem cujo objetivo era encontrar a corte imperial para  aconselhá-la a aceitar o ensino de Daishonin, Nitimoku faleceu aos 74 anos, após recitar pela última vez o Gongyo.

San

Nikko Shonin

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração aos Três Mestres

A segunda parte deste trecho diz:

Devotando-me respeitosamente a Nikko Shonin, ofereço minhas sinceras orações em agradecimento pelos benefícios conquistados.

sadoEm 1258, Nitiren Daishonin visitou o templo Jissoji para desenvolver pesquisas na biblioteca local com o intuito de esclarecer as causas das calamidades e desastres que assolavam o Japão. Ele preparava-se para escrever a “Tese sobre o estabelecimento do ensino correto para a paz da nação”. Nessa ocasião, Nikko, que estava com 13 anos de idade, serviu-o e tornou-se seu discípulo, recebendo de Nitiren Daishonin o nome de Hoki-bo Nikko. A partir de então, Nikko serviu-o devotadamente, acompanhando-o até mesmo em seus exílios à península de Izu e à ilha de Sado.

Nos últimos anos da vida de Daishonin, já estabelecido em uma região remota do monte Minobu, Nikko Shonin compilou as preleções sobre o Sutra de Lótus proferidas pelo seu mestre, as quais são conhecidas como “Registro dos Ensinos Orais”. Ele empenhou-se também de forma excepcional na liderança da propagação do Verdadeiro Budismo, participando vigorosamente de inúmeros debates com líderes de seitas heréticas. As regiões de Kamakura, dos montes Minobu e Fuji, de Atami, Kai e Suruga e a vila de Atsuhara foram alguns dos locais onde Nikko empreendeu uma intensa campanha de propagação.

Aos 61 anos de idade, sentindo a aproximação de sua morte, Nitiren Daishonin designou Nikko Shonin como seu legítimo sucessor por meio de dois documentos de transferência escritos em setembro de 1282 e em 13 de outubro de 1282, no dia de sua morte.

Após o falecimento de Daishonin, dos seis sacerdotes seniores que juraram proteger o Verdadeiro Budismo, somente Nikko Shonin compreendeu profundamente a verdadeira intenção do Buda Original e preservou seus ensinos com pura fé, criando a base para a propagação, e os transmitiu às futuras gerações. Apesar de terem jurado proteger o Verdadeiro Budismo, sob pressão das autoridades, os outros seniores gradativamente começaram a desviar-se dos ensinos de Daishonin e passaram a adorar imagens do Buda Sakyamuni, declarando-se sacerdotes da seita Tendai. Assim livraram-se das perseguições e prometeram orar pela nação e por seus governantes. Nikko Shonin refutou rigorosamente essas atitudes e preservou os ensinos de seu mestre. Se ele permanecesse em silêncio, indubitavelmente a história da “retidão dos cinco sacerdotes seniores” teria prevalecido sobre a verdadeira intenção de Nitiren Daishonin. Na verdade, esses cinco sacerdotes não compreenderam a verdadeira intenção do Buda Original.

MontanhaNikko Shonin faleceu no dia 6 de fevereiro de 1333, 24 dias após escrever “Os Vinte e Seis Artigos de Advertência”, que contêm as orientações para os futuros discípulos que herdaram o verdadeiro espírito de Nitiren Daishonin e assegurarão a realização do Kossen-rufu.

San

Nitiren Daishonin

Mesmo quando nos dispomos a conhecer uma nova crença, é difícil se abrir totalmente logo de imediato, recitando todos os mantras ou orações e citando nomes e palavras que não conhecemos.

Assim também foi comigo em relação ao budismo de Nitiren 🙂

Por isso decidi colocar no blog pequenos textos explicando as orações silenciosas que fazemos ao final do gongyo, já que, na verdade, é mais importante manifestarmos nossa real gratidão enquanto oferecemos as orações do que simplesmente ler o seu conteúdo de maneira ritual.

Espero que ajude em suas buscas!

Oração aos Três Mestres

A primeira parte deste trecho diz:

“Devotando-me respeitosamente a Nitiren Daishonin, o Buda Original dos Últimos Dias da Lei, ofereço minhas sinceras orações em agradecimento pelos benefícios conquistados.”

saky_dharmaSidarta Gautama (aprox. 560-480 a.C.), que ficou conhecido como Buda Sakyamuni, foi o primeiro homem que registrou ter alcançado o estado de Buda ou iluminação. Para seus primeiros discípulos, Sakyamuni deixou uma série de ensinamentos preparatórios, para que no futuro fossem revelados os ensinamentos que de fato poderiam levar à iluminação. No Sutra de Lotus, o Buda Sakyamuni disse que seria preciso muita coragem para que seus ensinamentos fossem propagados nos Últimos Dias da Lei, período em que seriam encontradas diversas dificuldades para a propagação da verdade contida no budismo.

Segundo o pensamento budista, qualquer religião pode ser dividida em três períodos, dependendo do grau de influencia que ela exerce nas pessoas. No budismo esses períodos foram os seguintes:

– “Primeiros Dias da Lei”, quando oferece meios práticos para resolver problemas imediatos. Duraram cerca de mil anos e foi o período em que o budismo foi praticado na Índia e a prática se baseava na pureza da fé;

– “Médios Dias da Lei”, quando a religião já está estabelecida na cultura e na sociedade, porém torna-se formalizada e deixa de ser relevante para as necessidades das pessoas. Também duraram cerca de mil anos e propagou-se na China, e chegou ao Japão. A religião tornou-se ritualizada;

– “Últimos Dias da Lei”, quando perde totalmente sua eficácia. Pelos cálculos, teria início por volta do ano 1052 d.C. Nesse período, as ordens budistas tornaram-se ricas e os monges guiavam-se por desejos de fama e outras ambições.

Com o tempo, muitos seguidores esqueceram-se de que Sakyamuni era o fundador do budismo, e novas escolas apareceram em sucessão, louvando os poderes de budas imaginários ou negando a necessidade de estudar a doutrina ou de realizar a prática do budismo. O verdadeiro espírito do budismo havia sido totalmente esquecido por volta do início do século XIII no Japão. Por volta dessa mesma época, o budismo da Índia acabou sofrendo o impacto do islamismo da região oeste e desapareceu, embora esse budismo já viesse mantendo uma subsistência conjunta com o esoterismo desde a extinção dos sucessores de Sakyamuni no século VI. De forma semelhante, após a morte de Tient’ai, o budismo da China entrou em decadência, sendo corroído pela influência do esoterismo indiano e pela predominância da devoção do Buda Amida, que era uma derivação do próprio budismo. Além disso, a invasão da China pelos mongóis ocorrida no século XIII causou o total declínio do budismo.

Em meio a essa confusão, Nitiren Daishonin fez seu advento.

Buda NitirenNascido quase dois mil anos depois de Sakyamuni, Nitiren Daishonin (1222 – 1282)  tornou-se monge e estudou profundamente o budismo. Através de documentos antigos, percebeu que as correntes dominantes na época desviavam-se da essência do pensamento de Sakyamuni. Encontrou o ponto central do pensamento do Buda – o Sutra de Lótus – e dali fez renascer o budismo ao revelar a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e o efeito revitalizador e transformador que essa prática traz ao indivíduo. Concentrou sua percepção no Gohonzon e deixou a prática do Daimoku como a chave para a iluminação de qualquer ser humano.

Daishonin foi extremamente perseguido, tanto por seitas budistas como por governantes. Foi  exilado, foi alvo de emposcadas e chegou a ser condenado à morte, da qual escapou por diversas vezes. Durante três anos, Daishonin revelou os ensinamentos àqueles que acreditavam em suas palavras, e faleceu pacificamente na residência de um seguidor.

NitirenPor ter atingido a iluminação por si só e ter revelado a verdade fundamental da vida, Nitiren é conhecido como o Buda Original dos Últimos Dias da Lei.

San

História do Budismo e suas escolas

Muitas pessoas me questionam se todo budismo é igual. Sempre que falo que sou budista, me perguntam onde é o templo que frequento, e ao dizer que na Soka Gakkai, organização que sigo, as reuniões são nas casas dos membros, as pessoas se espantam.

Na verdade há diversas linhas de budismo, e cada escola possui ênfase em práticas distintas: estudo de ensinamentos registrados, meditação ou práticas esotéricas elaboradas. Algumas escolas buscam o isolamento e a anulação do ser, outras, buscam a iluminação em uma vida futura. Há ainda o budismo de Nitiren, que tem ênfase na busca pela iluminação nesta existência e na formação de um mundo melhor para todas as pessoas.

 Difusao do budismoNascido na Índia por volta do século IV a. C., Siddhartha Gautama atingiu a iluminação ou estado de buda com aproximadamente 30 anos. Pregou diversos ensinamentos a discípulos e ouvintes por cerca de 50 anos, até sua morte.
Aproximadamente cem anos depois, seus discípulos se reuniram para organizar os ensinamentos que foram passados oralmente através das gerações, e alguns deles foram registrados. Nessa época, houve divergências sobre a doutrina, e os praticantes se dividiram em dois grupos, que se espalharam pelo mundo:

– “Sthavira” (sânscrito: “ensinamento dos mais velhos”. Em pali, a palavra correspondente é “Theravada”, nome pelo qual esse grupo ficou conhecido);

– “Mahāsāṃghika” (“grande sangha”, pois eram a maioria).

Theravada
A atual escola Theravada descende diretamente do primeiro grupo da divisão. É a escola budista mais antiga entre as existentes, e sua prática pretende ser próxima dos primeiros ensinamentos do Tipitaka, que é considerado o mais antigo registro dos ensinamentos do Buda. De acordo com a doutrina, os sofrimentos são causados pelo desejo e egoísmo humanos, que devem ser erradicados. A linha Theravada predomina no Sri Lanka e boa parte do sudeste asiático (Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia).

 Mahayana
O budismo Mahayana  se originou do grupo Mahāsāghika da primeira divisão. É o tipo de budismo que se espalhou para países como China, Japão, Coreia, Tibete, Vietnam, entre outros. O termo, que começou a ser usado aproximadamente em 100 a.C., é sinônimo de bodhisattvayana, o caminho da busca da iluminação para o benefício de todos os seres. Com seus ensinamentos compilados, o budismo atingiu amplamente a população, sendo praticado também por leigos (pessoas sem ordenação monástica).

 

Escolas Mahayana
Praticantes Mahayana deram origem a diversas sub-escolas, e as principais são:

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Templo Zu Lai, Cotia (SP).

Terra Pura – Originou-se na Índia e os registros mais antigos datam do século II d. C.. Hoje é o budismo com mais adeptos no Japão. O foco é a devoção ao buda da meditação Amitabha (ou Amida, como é conhecido no Japão) e a busca pela iluminação em uma vida futura na Terra Pura. O conhecido Templo Zu Lai, de Cotia (SP), é fundado na tradição Terra Pura e Chan (Zen).

 

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Templo Odsal Ling, Cotia (SP).

Vajrayana – Surgiu na Índia, provavelmente por volta do século IV d. C.. Cada escritura é denominada “tantra”, vindo daí o termo “budismo tântrico”. Mais esotérico que as outras escolas, entre suas características estão a utilização de mantras e rituais elaborados, presença de pinturas e esculturas. No Tibete, essa linha se tornou predominante, no conhecido Budismo Tibetano ou Lamaismo. Possui sub-escolas, como Nyongma, Kagyu, Sakya e Gelug (de Dalai Lama). Faz parte dessa escola o templo Khadro Ling, de Três Coroas (RS).

 Zen – Surgiu na China como budismo Chan e depois se disseminou no Japão, Coréia e Vietnam. A ênfase dessa escola é a experiência pessoal em meditação, e não tanto o estudo de escrituras. No Japão, o budismo Zen foi introduzido como uma escola independente no século 12. Faz parte dessa escola a famosa brasileira monja Coen.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

Nam Myoho Rengue Kyo, a base da prática do budismo de Nitiren Daishonin.

 Nitiren – Surgiu no Japão através do monge budista Nitiren Daishonin (1222-1282). Possui foco no estudo do Sutra do Lótus e na recitação do Daimoku como forma de atingir a felicidade nesta existência. Essa linha influenciou significativamente — e continua influenciando — a sociedade japonesa. No Brasil, é a linha budista que mais cresce. Chegou ao país em 1960 através da Soka Gakkai, que hoje conta com cerca de 160 mil associados brasileiros.

 

Escolas contemporâneas

Vipassana – Professores de meditação que estudaram com mestres Theravada da Birmânia e Tailândia vêm difundindo técnicas tradicionais de meditação budista de maneira relativamente desvinculada de alguma linhagem religiosa específica.

 Shambhala – Linhagem idealizada para a prática budista no mundo contemporâneo. Foi inaugurada por Chogyam Trungpa Rinpoche, lama tibetano que começou a ensinar amplamente no ocidente na década de 1970. Atualmente, é liderada por seu filho e herdeiro espiritual Sakyong Mipham Rinpoche.

 Nova Tradição Kadampa – O termo Kadampa se refere a uma linhagem originada no século 11, do budismo tibetano. A atual escola tibetana Gelug (do Dalai Lama) é considerada a continuação da escola Kadampa. Por divergências doutrinárias, na década de 1990 grupos romperam com Dalai Lama, dando origem a novas sub-escolas, entre elas, a chamada “Nova Tradição Kadampa”, criada na Inglaterra em 1990.

San

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Fonte: BSGI, por uma sociedade de paz. São Paulo: Brasil Seiko, 2012.

 

Mas o que é o budismo?

“Buda” é um termo que em sânscrito significa “desperto” ou “iluminado”.

Historicamente, a primeira pessoa que se tem registro de ter atingido a iluminação como Buda foi Siddharta Gautama, príncipe do reino dos Sakyas, que viveu no século VI a.C. na Índia. Após muitas práticas religiosas e meditar profundamente, ele se despertou para a solução dos sofrimentos humanos – nascimento, velhice, doença e morte. Depois disso, passou a pregar seus ensinamentos e ficou conhecimento como Sakyamuni (o sábio dos Sakyas).

flor de lotusOs primeiros ensinamentos de Sakyamuni falavam sobre longas práticas, que poderiam durar milhares de encarnações, para que se atingisse a iluminação ou Estado de Buda. Só depois de cerca de 40 anos de pregação, já nos oito últimos anos de sua vida, o buda Sakyamuni pregou o Sutra de Lótus, que diferia de todos os outros anteriores. Pela primeira vez, ele disse que as mulheres e incultos também poderiam atingir a iluminação.  Que mesmo aqueles que carregavam pesados carmas negativos também poderiam atingir a iluminação. Mais importante que tudo isso, qualquer pessoa poderia atingir a iluminação e encontrar a verdadeira felicidade nesta vida. Bastaria seguir a Lei Mística.

O complicado é que o texto do Sutra de Lótus não deixou claro qual era essa lei mística, e por isso, o sutra foi ignorado por muitas correntes budistas por muito tempo. Somente no século XIII, o monge japonês Nitiren Daishonin compreendeu e revelou a Lei Mística, após muitos anos de estudos do Sutra de Lótus. A solução para a felicidade nesta vida é a Lei Mística, ou a Lei da Causa e Efeito, traduzida em chinês para o mantra Nam-Myoho-Rengue-Kyo (Devotar a vida – Lei mística – Causa e Efeito – Eternidade da vida). Em resumo, nossa felicidade depende unicamente de nossas ações, e não de qualquer ser ou entidade fora de nós. E recitar o mantra que é o nome dessa lei nos coloca em sintonia com ela, aproximando-nos do que nos dá felicidade.

Por ter compreendido e revelado a Lei Mística, Nitiren Daishonin também é considerado Buda, e o conhecido como Budismo de Nitiren segue seus ensinamentos.

Esse blog pretende esclarecer aos poucos esses ensinamentos que parecem ser tão naturais e tão profundos quanto a própria vida.

Beijo a todos!

San